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De Trainee a Partner: Como chegar a este nível e quais os desafios?
Tempo de leitura: 4 minutos

De trainee a Partner: Como chegar a este nível e quais os desafios?

por Francisco Costa, Partner & Enterprise Solutions Lead @ Xpand IT

Quando damos a nossa formação académica como terminada, acho que todos passamos um pouco pelo mesmo: então, e agora o que vou fazer? Pelo menos, no tempo que passei pela faculdade, esta preparava-nos sobretudo para estarmos recetivos a aprendermos aquilo que seriam os conhecimentos base – mas o dia-a-dia de um profissional é muito mais que isso.

Há um outro conjunto de regras, princípios, caminhos e funções que não nos eram explicados na altura. No entanto, tínhamos que tomar uma decisão. É verdade que na nossa área temos sempre a vantagem de haver muita procura, o que nos ajuda a “corrigir” qualquer decisão menos informada, mas hoje também me parece que há mais informação disponível.

Quando saí do Técnico em 2008, segui o processo normal de enviar currículos para algumas das empresas mais conhecidas e outras menos conhecidas. Uma delas, muito menos conhecida na altura, foi a Xpand IT. Era uma empresa com cerca de 30 pessoas na altura (hoje somos já mais de 300), mas era um sítio onde tinha vários amigos que tinham terminado o curso mais cedo e isso deu-me uma vantagem para perceber como era o trabalho por aqui. Logo no processo de entrevista notei uma diferença para as restantes. Pensei na altura, que se calhar por ser mais pequena, havia uma maior preocupação em perceber como pensava e quem eu era e não somente aquilo que eu (não) sabia (ainda) fazer. Ao longo dos anos percebi que havia um esforço real para que isso não mudasse com o crescimento e que fizesse sempre parte da cultura da empresa.

Foi, portanto, uma decisão fácil escolher na altura a Xpand IT. Spoiler alert: ainda aqui estou.

Comecei o meu caminho como qualquer outro júnior: conhecer a empresa, a equipa, as regras, as ferramentas, configurar o PC, estudar para o projeto que ia integrar e lá fui eu. Incorporei uma equipa bastante mais experiente, mas as coisas foram correndo bem. Comecei a perceber que não me bastava conhecer as ferramentas que precisava de utilizar, mas também perceber o negócio do cliente onde estava inserido. Isso, e lidar com as pessoas das equipas desse mesmo cliente, seriam sempre pontos fundamentais para marcar a diferença. E isso foi essencial, porque – na verdade – estamos numa empresa de serviços. Fazemos consultoria. E isso, envolve pessoas.

Acabei por estar nesta equipa durante 10 anos. De 2008 até 2018, altura em que me foi proposto o desafio para me tornar Partner na Xpand IT e liderar a unidade de negócio de Enterprise Solutions. Claro que durante esses 10 anos muita coisa aconteceu. A minha postura foi sempre a mesma desde o primeiro dia: perceber o que era esperado de mim e entregar mais. Não porque na altura já tinha uma visão clara do meu caminho, ou sequer do que me iria beneficiar, mas sim porque achava que era a melhor maneira de me convencer a mim mesmo que tinha valor, que estava no sítio certo e que podia fazer a diferença em relação, se calhar, a colegas que achava que eram melhores que eu nas suas funções técnicas.

A minha forma de entregar mais foi sempre a de perceber onde havia uma necessidade e oferecer-me para a resolver. Fosse a proximidade da empresa à equipa, fosse perceber a estrutura e necessidades do cliente, eu estava lá e oferecia-me. Coisas simples muitas vezes, mas que faziam uma grande diferença nas relações (entre cliente e equipa). Daí fui crescendo, passando por 2 ou 3 responsáveis de equipa, até que com o tempo passou para mim. Mantive sempre um foco grande naquilo que eram os objetivos da empresa como um todo, e não apenas os da minha equipa ou unidade de negócio. Sempre tive o propósito de aumentar a nossa presença no cliente, para que entregássemos melhor, com mais qualidade e de ter uma postura transparente. Acho que o que aconteceu depois, não foi por ser uma pessoa super brilhante em tudo o que era tecnologia, ou que convencia todos a trabalhar connosco, mas sim por perceber desde cedo quais eram os meus pontos fortes e fracos, assim como aquilo que me poderia diferenciar dos meus colegas. Não para ser superior, mas para mostrar a mim mesmo que conseguia.

As evoluções de carreira sempre aconteceram de uma forma natural. Muitas delas chegavam-me como surpresa muitas vezes, como aconteceu em 2018 no desafio para gerir uma unidade de negócio. Não esperava, nem de perto nem de longe, mas o trajeto que fui traçando foi criando a confiança de que poderia ser a pessoa certa para o desafio. Nunca pensei em pedir primeiro e fazer depois. Não era assim que me tinham ensinado e ainda hoje acredito que é esse o caminho certo. E, olhando para trás, para o meu trajeto e o que atingi, acho que segui o caminho certo.

Pode parecer, pela maneira como estou a contar que pode ter sido um caminho fácil, mas não foi. Nunca é. Há sempre problemas no caminho, decisões melhores e outras piores, e muitos erros. Mas é sempre assim que aprendemos, não é? A errar, a reconhecer e a evoluir. E percebendo quem está à nossa volta, quem também nos pode ajudar por serem diferentes de nós, e até melhores que nós em algumas coisas, ou piores noutras.

O espírito de equipa e colaboração, acreditar que podemos fazer melhor, perceber os nossos pontos fortes e fracos, estar disponível para por vezes sair da nossa zona de conforto para errar e aprender, evoluir, sempre com compromisso. São estes alguns dos pontos relevantes desta história, e da maior parte das histórias que correm bem. E preparem-se porque nunca vamos saber tudo, nunca vamos ter sempre razão e há pessoas melhores que nós. Faz parte. Ainda hoje, passado este tempo todo desde 2008, sinto que tenho muito para aprender. Felizmente estou rodeado de pessoas muito válidas, trabalhadoras e que me ajudam todos os dias a tomar melhores decisões – porque é em equipa e com a humildade de aprender que atingimos grandes resultados e vamos mais longe.

Queres crescer e evoluir? Deixo-te 5 dicas:

  • Não rejeites à partida um desafio que te lançam, só porque não te sentes preparado ou achas que não é o teu caminho. Todos os desafios são oportunidades para crescer e evoluir;
  • Trabalha, mostrando empenho, vontade e compromisso, e as oportunidades irão surgir de forma natural;
  • Não exijas antes de fazer. Sê proativo, sai da tua zona de conforto e faz a diferença. Se o espaço existe, vai atrás dele e mostra a tua capacidade. O resto surgirá;
  • Trabalha em equipa, apoia os teus colegas e terás sempre algo a aprender com cada um deles;
  • Reconhece os teus pontos fortes, mas também aqueles em que deves melhorar para poderes crescer ao longo do teu caminho.
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